Back to Home Page of CD3WD Project or Back to list of CD3WD Publications

10. M�todos de combate de pragas integrados

Sum�rio - Precedente - Siguiente

10.1 M�todos mec�nicos
10.2 M�todos f�sicos
10.3 M�todos biol�gicos de combate
10.4 M�todos biot�cnicos
10.5 Refer�ncias liter�rias

 

No esfor�o de prevenir e de combater as pragas que atacam os produtos armazenados, aplicam-se em primeiro lugar as medidas de higiene e os m�todos qu�micos. N�o obstante, aumentou consideravelmente no ultimo dec�nio a import�ncia dos m�todos f�sicos e biol�gicos para o combate das pragas. As raz�es para esta tend�ncia s�o as restri��es no referente aos tratamentos qu�micos dos gr�os em muitos pa�ses, ao igual que o aumento do desejo de produtos "livres de res�duos" por parte dos consumidores, especialmente os dos pa�ses industrializados.

Enquanto que os m�todos biol�gicos s� ocupam um lugar de import�ncia pr�tica limitada, existem alguns m�todos f�sicos que tornaram-se rutina em muitos pa�ses. Em alguns casos, a pr�tica de m�todos de substitui��o �limitada pelos custos de aplica��o. A demanda crescente relacionada com o uso seguro de insecticidas e fumigat�rios, faz que esses procedimentos sejam cada vez mais complicados e, consequentemente, mais caros, resultando numa rela��o custo-rendimento que se torna a favor dos m�todos f�sicos e biol�gicos, os quais s�o tamb�m menos nocivos para o ambiente.

Nos pa�ses em vias de desenvolvimento, as normas t�cnicas requeridas s�o ainda factores restritivos para a aplica��o de m�todos que requerem aparelhos e equipamento especiais ou, por exemplo, uma estanqueidade ao g�s superior � m�dia das estruturas de armazenagem.

10.1 M�todos mec�nicos

Trata-se aqui geralmente de m�todos com os quais se procura separar as pragas do produto armazenado. Al�m dos m�todos mec�nicos mais usuais utilizados ao nivel da armazanagem de pequenas herdades: crivar, separar ou aventar, utilizam-se diferentes tipos de instala��es de limpeza ao nivel de armazenagem a grande escala. O mais importante � destruir imediatamente os insectos encontrados nos res�duos da limpeza. As larvas que vivem dentro do gr�o s�o dif�ceis de eliminar.

10.1.1 Embalagem

Para evitar a penetra��o das pragas no produto armazenado, � indispens�vel cuidar de uma boa embalagem. N�o obstante, isto s� � poss�vel no caso de ter material suficientemente resistente aos ataques das pragas. Muitas vezes, � dif�cil encontrar o material de embalagem adequado �s exig�ncias. Utilizam-se geralmente juta, pl�stico, folhas, papel ou contentores de madeira ou cart�o. Estes frequentemente n�o oferecem protec��o mec�nica nenhuma contra as pragas.

Os materiais de embalagem s� podem ser atacados por pragas com aparelhos bucais suficientemente fortes ou com dentes. Isto p.ex. � o caso das esp�cies de pragas seguintes:

Rhyzopertha dominica
Sitophilus spp. Lasioderma serricorne
Stegobium paniceum
Plodia interpunctella
Roedores

10.1.2 Transforma��o

A transforma��o � de extrema import�ncia quando se trata de conservar produtos facilmente estrag�veis. No caso dos alimentos b�sicos, devem-se mencionar os produtos tradicionais muito diversificados resultantes da mandioca, os quais s�o transformados para poder ser armazenados a longo prazo. N�o obstante, no caso dos gr�os cereal�feros, a transforma��o �limitada a casos especiais devido a que o gr�o vivente, com o seu teor em humidade relativamente baixo, � uma mercadoria com muito boas qualidades de armazenagem.

Em alguns casos, o gr�o � armazenado de acordo � tradi��o, imediatamente depois de ser colhido, sem malhar nem descamisar ou descascar. Alguns exemplos s�o:

� armazenagem de arroz cru (paddy)
� armazenagem de espigas de milho com camisas
� armazenagem de sorgo e milho mi�do em pan�culas
� armazenagem de leguminosas e amendoim em cascas.

Estas pr�ticas t�m em comum o facto que os gr�os ficam nos seus envolt�rios naturais, evitando assim a penetra��o de algumas esp�cies de pragas que atacam os produtos armazenados. N�o obstante, existem excep��es como as pragas que atacam o produto j� no campo ou a broca maior de gr�o, a qual consegue furar as camisas de milho, preferindo at� o milho em camisa que o descamisado. Com estas t�cnicas de armazenagem, n�o existe o perigo de esmagar o gr�o antes da armazenagem durante a malhada, o que o toma suscept�vel aos ataques das pragas secund�rias.

Neste lugar, deve-se mencionar a import�ncia de uma secagem adequada. Os detalhes ao respeito, s�o tratados no capitulo 4.3.

Os �nicos exemplos importantes referentes � transforma��o de cereais com o fim de melhorar as condi��es de aramzenagem, s�o tratamentos com interven��o de calor e humidade, como a prepara��o do bulgur utilizando trigo nos pa�ses �rabes ou a pr�tica do parboiling (semicoc��o), muito comum sobretudo na Asia para a prepara��o do arroz. Ambas t�cnicas mudam a estrutura, a densidade e a firmeza dos gr�os, tornando-os menos atractivos para determinadas pragas de armazenagem que o gr�o cru.

O parboiling consiste em molhar o arroz cru em �gua fria ou quente durante per�odos diferentes (at� tr�s dias), uma passagem pelo vapor e a secagem. Durante este processo, as c�lulas de amido tomam-se gelatinosas, fechando as poss�veis fissuras nos gr�os. As vantagens deste m�todo s�o a redu��o dos ataques pelos insectos, menos danos como os que ocorrem durante a malhada, uma melhor reten��o dos valores nutritivos e das vitaminas, e de maneira geral, um melhoramento das faculdades de armazenagem. Um parboiling efectuado com descuido pode resultar em mudan�as de cor indesejadas e ocasionar um cheiro desagrad�vel, sobretudo se as bainhas estavam infestadas com fungos, devido a uma secagem insuficiente depois da colheita.

10.2 M�todos f�sicos

10.2.1 Armazenagem estanque ao ar

Uma armazenagem estanque ao ar (ou herm�tica) evita a intrus�o das pragas e causa a morte dos insectos que ficaram no armaz�m devido a uma falta de oxig�nio e a um excesso de di�xido de carbono. Os requisitos pr�vios mais importantes para uma armazenagem herm�tica s�o estruturas estanques ao g�s.

A armazenagem herm�tica vem sendo praticada com �xito em pequena escala por meio da utiliza��o de frascos e potes de barro de fecho herm�tico ou garraf�es para a armazenagem de sementes. As fossas subterr�neas s�o estruturas de armazenagem herm�tica tradicionais conhecidas desde os tempos pr�-hist�ricos. Sobretudo em climas �ridos mostrou-se a utilidade da utiliza��o de tambores de �leo vazios para uma tal armazenagem, voltando-se muito popular este m�todos em determinadas regi�es da �frica Ocidental. Ponto comum destes recipientes � o facto que os gr�os armazenados devem estar bem secos e que devem ser protegidos de temperaturas extremas para evitar o desenvolvimento de condensa��o e de mofo.

Aplica��es em grande escala da armazenagem herm�tica s�o conhecidas da Argentina durante a segunda guerra mundial e do Chipre, aonde foram construidos nos anos cinquenta recipientes c�nicos cobertos de telhados de cimento em forma de c�pula. Estes "Cyprus bin" foram introduzidos no Qu�nia para armazenar as reservas nacionais de gr�os.

Durante estes �ltimos anos, diferentes tipos de silos, armaz�ns e estruturas flex�veis, foram fechadas herm�ticamente com lonas de material pl�stico. A experi�ncia mostrou que encontram-se materiais resistentes as condi��es clim�ticas tropicais, mas existem ainda v�rios aspectos que necessitam melhoramentos para que esta tecnologia possa ser considerada como alternativa. Alguns dos problemas n�o completamente resolvidos est�o relacionados com a supervis�o, a manuten��o da qualidade do gr�o, a migra��o da humidade e com a condensa��o.

10.2.2 Gases inertes

A armazenagem numa atmosfera de gases inertes (g�s carb�nico e/ou azoto) n�o deixa aos insectos nenhuma possibilidade de sobreviv�ncia. Ao utilizar azoto (N2), deve-se manter uma concentra��o de 97 a 99% para obter o resultado desejado. O teor em oxig�nio deve ser mantido a menos de l %. No referente ao g�s carb�nico (CO2), convem manter uma concentra��o de aproximadamente 60%. Para esse fim, pode-se utilizar tamb�m o metano (CH4) produzido em instala��es de g�s biol�gico.

Existem tr�s requisitos pr�vios para a utiliza��o de gases inertes:

1. Disponibilidade de CO2 (em garrafas ou como produto de combust�o de propano ou butano).

2. Armaz�ns estanques ao g�s (ou pilhas de sacos cobertos herm�ticamente), os quais permitem a manuten��o da concentra��o durante v�rias semanas.

3. Baixo teor em humidade do produto armazenado para evitar uma condensa��o.

Foram elaborados procedimentos detalhados para grandes armaz�ns de dep�sito permanente de gr�os, pilhas de sacos com lonas, contentores para navios e embalagens em pequena escala. Os maiores obst�culos para uma utiliza��o generalizada em pa�ses subdesenvolvidos, s�o os relacionados com os altos custos, a disponibilidade do g�s e a falta de estruturas de armazenagem capazes de reter suficientemente o g�s. O di�xido de carburo pode ser gerado no pr�prio lugar por meio de um sistema de bicos de g�s. Dependendo do g�s e da t�cnica de aplica��o utilizada, o tempo m�nimo de exposi��o varia entre 14 e 21 dias.

O g�s carb�nico tem um potencial especial para substituir o brometo de metilo no sector das quarentenas. Aplicado sob condi��es de press�o atmosf�rica normal, o tempo de exposi��o deve ser de 10 dias ou mais para garantir o controlo total dos insectos. N�o obstante, no caso de uma concentra��o elevada (98%) e press�o alta (ate 30 kg/cm�), alcan�am per�odos de exposi��o de 5 a 20 minutos para obter uma mortalidade completa. Os elevados custos desta t�cnica (autoclave) limita o uso pelo momento �s mercadorias valiosas.

As perspectivas futuras dos gases inertes seguramente n�o v�o depender s� dos custos, mas tamb�m do destino dos fumigat�rios como o brometo de metilo, o qual ser� retirado do mercado mais cedo ou mais tarde. No futuro, o uso dos gases inertes pode significar tamb�m uma alternativa ao uso dos insecticidas numa s�rie de pa�ses em vias de desenvolvimento.

10.2.3 P�s inertes

Nos �ltimos dez anos est�o sendo aplicados comercialmente cada vez mais os p�s inertes na Austr�lia (trata-se geralmente de sil�cios amorfos). Os tr�s m�todos de uso mais comuns s�o os seguintes:

- adi��o dos p�s � mercadoria por meio de mistura, geralmente na propor��o de 1 g/kg
- tratamento estrutural em paredes ou solos com p�s secos ou suspens�es aquosas
- adi��o do p� � superf�cie da mercadoria armazenada a granel.

Ao ser adicionado por meio de mistura ao gr�o, o efeito protector dos pos inertes dura normalmente pelo menos doze meses, o que � compar�vel com os produtos qu�micos cl�ssicos. Os efeitos dos diferentes produtos variam consideravelmente e alguns deles n�o est�o em condi��es de oferecer tanto controlo como os insecticidas qu�micos. Tamb�m � evidente que alguns insectos como o Sitophilus granarius n�o s�o muito sens�veis a este tipo de tratamento. A adi��o dos p�s presenta o inconveniente de aumentar o polvilhamento do gr�o. N�o obstante, na aplica��o sobre superf�cies, o efeito dos p�s inertes n�o � de maneira nenhuma inferior ao dos insecticidas residuais.

Uma esperan�a prometedora ao nivel da armazenagem em grande escala consiste em tratar a superf�cie da mercadoria a granel com p�s em combina��o com um outro m�todo de combate de pragas, como o restriamento ou a fumiga��o. No primeiro caso, o p� complementa o arejamento com ar frio e mata os insectos da camada superior, na qual eles tendem a se reunir. Ao ser aplicado junto com um fumigat�rio, o p� inerte age como uma barreira de g�s e ajuda a obter concentra��es adequadas perto da superf�cie.

Os p�s inertes oferecem um determinado potencial para a utiliza��o na protec��o dos produtos armazenados. Esta t�cnica e compar�vel com o uso tradicional de p�s e cinzas, presentando a vantagem de uma dosagem consideravelmente reduzida. Enquanto que as adi��es tradicionais de minerais s�o geralmente efectivas em concentra��es de 40% ou mais, utilizam-se p�s inertes como sil�cios amorfos numa rela��o de 1 a 2 % do peso da mercadoria. Durante uma pesquisa efectuada num laborat�rio, chegou-se a combater por um per�odo de seis meses, entre outras, a esp�cie Prostephanus truncatus e o bruco do feij�o. No futuro, e nos casos aonde o efeito protector n�o � considerado como sendo suficiente, pode-se intentar como solu��o a combina��o de p�s inertes com dosagens reduzidas de insecticidas cl�ssicos.

Independentemente do tipo de armazenagem, o uso de p�s inertes s� �efectivo quando a humidade do gr�o � mantida a menos de 12% e a humidade relativa do ar � bastante baixa. Nas regi�es tropicais h�midas, os p�s inertes tendem a formar grumos rapidamente, perdendo assim o seu efeito. As regi�es �ridas e semi�ridas oferecem condi��es clim�ticas ideais para este tipo de tratamento.

10.2.4 Utiliza��o das altas temperaturas

Geralmente, as temperaturas de mais de 40�C matam rapidamente a maioria das pragas que atacam os produtos armazenados. Utilizam-se as vantagens deste m�todo na secagem tradicional ao sol das colheitas. Distingue-se entre o tratamento com calor sob condi��es h�midas e sob condi��es secas. O inconveniente dos tratamentos em grande escala que utilizam as altas temperaturas, � o alto consumo de energia e a necessidade de equipamentos adequados. Este procedimento n�o deve ser aplicado no caso de sementes devido ao risco de influ�ncia da faculdade de germina��o.

10.2.5 Utiliza��o das baixas temperaturas

As baixas temperaturas t�m como primeiro efeito uma redu��o da actividade aliment�cia e da mobilidade dos insectos at� alcan�ar a paragem total do desenvolvimento e levar � morte. A manuten��o das baixas temperaturas no armaz�m requer t�cnicas complexas e o consumo de energia � muito alto. Em alguns casos particulares, pode-se tomar necess�rio armazenar sementes de alta qualidade em armaz�ns refrigerados. Devido a que os gr�os possuem uma condutibilidade t�rmica fraca, � dif�cil refrigerar pilhas grandes ou gr�os a granel. Al�m disso, existe o risco de forma��o de condensa��o durante o processo de refrigera��o.

10.2.6 Tratamento utilizando radia��es de ondas curtas

Outro m�todo aplic�vel para matar os insectos que atacam os produtos armazenados, � a exposi��o dos mesmos a radia��es de ondas curtas (gamma). A radiosensibilidade varia consideravelmente dependendo da esp�cie de praga. Os cereais podem ser desinfectados com uma dose de 0.5 Kilogray (kGy), as leguminosas com menos de 0.2 kGy. Os est�dios mais sens�veis para os insectos s�o os dos ovos e das larvas. Ao utilizar a dose prescrita, n�o foram registadas at� agora altera��es nas propriedades f�sicas, qu�micas ou organol�pticas dos produtos tratados. Existem algumas aplica��es comerciais deste m�todo, especialmente no caso de batatas e legumes. N�o obstante, as aplica��es s�o bastante limitadas at� agora. Aproximadamente 40 pa�ses introduziram homologa��o para esse tipo de tratamento sobre alguns produtos.

As vantagens das radia��es s�o:

- residuo nenhum
- penetra��o uniforme no gr�o
- nenhum perigo de desenvolvimento de resist�ncia
- tratamento instant�neo.

Os inconvenientes das radia��es dos produtos armazenados s�o:

- custos superiores aos dos tratamentos qu�micos devido � necessidade de investimentos iniciais
- radia��es significam uma fase de manuten��o suplement�ria
- necessidade de estruturas de armazenagem centralizadas
- capacidade limitada dos aparelhos irradiantes
- aceita��o lenta por parte do consumidor final.

Devido a falta de res�duos, pode-se aplicar o tratamento � embalagem final do produto alirnent�cio. N�o existe efeito residual, por isso o produto aliment�cio tratado deve ser protegido contra urna nova infesta��o por meio de embalagens apropriados ou outros m�todos.

Devido aos equipamentos t�cnicos requeridos, aos gastos e a falta de
aceita��o por parte do consumidor, n�o � muito prov�vel que as radia��es
gamma aumentem na sua import�ncia corno m�todo de tratamento de gr�os.

10.3 M�todos biol�gicos de combate

Todo organismo vivo tem inimigos naturais ou enfermidades que asseguram o equil�brio da popula��o. Os m�todos biol�gicos de combate se servem destes antagonistas naturais das pragas. A vantagem principal dos m�todos biol�gicos de combate � o facto de que, na maioria dos casos, estes m�todos s�o toxicologicamente seguros. Apesar disso, devem-se estudar e considerar com muita aten��o seus efeitos secund�rios sobre o ambiente. As possibilidades de aplica��o dos m�todos biol�gicos de combate contra as pragas que atacam os produtos armazenados s�o muito limitadas devido a algumas caracter�sticas particulares do ambiente de armazenagem:

- Nos pa�ses industrializados, nota-se geralmente uma toler�ncia nula com respeito a qualquer tipo de "impurezas" nos alimentos, inclu�do no que se refere a insectos �teis

- Os antagonistas das pragas que atacam os produtos armazenados s�o naturalmente muito sens�veis aos insecticidas de espectro amplo utilizados habitualmente

- Os antagonistas n�o gostam muito de viver nas condi��es oferecidas pelas grandes instala��es de armazenagem como p.ex. os silos (pouca humidade, falta de subst�ncias nutritivas para os parasitoidas adultos, etc.)

Os m�todos biol�gicos de combate permitem manter a quantidade de pragas a um n�vel baixo, mas n�o conseguem uma extermina��o dos mesmos. Devido ao facto que � permitida uma determinada quantidade de pragas nos armaz�ns das pequenas herdades, existem possibilidades excelentes para o uso destes m�todos de combate nestes casos de armazenagem.

Al�m disso, as restri��es crescentes no que se refere ao uso de produtos de fumiga��o e insecticidas sint�ticos, aumentaram a atractividade da aplica��o de agentes biol�gicos para a protec��o dos produtos armazenados. Igualmente, n�o devemos esquecer que a toler�ncia em rela��o � presen�a de todo tipo de "impurezas", pode variar. Nos celeiros tradicionais, tolera-se geralmente uma pequena quantidade de insectos. O mesmo � aplic�vel para o gr�o de forragem. Al�m do mais, � evidente que existem n�veis no ciclo de produ��o, aonde as normas n�o precisam ser t�o rigorosas como quando se trata de produtos prontos ou de gr�os destinados � exporta��o.

Gra�as ao �xito obtido nos ultimos anos na �rea da pesquisa e da aplica��o pr�tica, os antagonistas mencionados a seguir poderiam ser utilizados como agentes biol�gicos de combate.

10.3.1 Predadores

Com o facto de ter soltado o Teretriosoma nigrescens, um cole�ptero da fam�lia dos histeridas, para combater a broca maior de gr�o (Prostephanus truncatus) na Rep�blica do Togo e no Qu�nia, foi dado um grande passo �frente no combate biol�gico contra as pragas que afectam os produtos armazenados ao n�vel de- pequenos cultivadores. A broca maior de gr�o, introduzida por engano na Africa no fim dos anos setenta, propagou-se rapidamente, causando perdas numa dimens�o nunca vista ate ent�o (at� 30% depois de seis meses de armazenagem). Todos os esfor�os tentados at� ent�o para dominar esta nova praga deram poucos resultados ou n�o foram aceitos pelos agricultores, sendo por isso que a GTZ e o Natural Resources Institute (NRI) elaboraram projectos de maneira a investigar a possibilidade de combate com m�todos biol�gicos.

Entre os numerosos agentes investigados, resultou ser o antagonista T. nigrescens (tamb�m origin�rio da Am�rica Central ao igual que a broca maior de gr�o o mais apropriado aos fins perseguidos. Depois de ter-se investigado com muita aten��o o impacto dos predadores e os aspectos referentes � seguran�a, o T. nigrescens foi introduzido na Rep�blica do Togo e soltado no principio do ano 1991.

A supervis�o da liberta��o revelou uma redu��o substancial das perdas nos campos. Estes resultados encorajaram a elabora��o de programas nacionais de combate em outros pa�ses, aonde as opera��es de liberta��o e de supervis�o continuam at� agora. Os m�todos de reprodu��o do predador, a sua introdu��o no pais, a liberta��o e a supervis�o, foram bem documentados e publicados, o que permite aos governos interessados adoptar facilmente esta t�cnica.

O problema da broca maior de gr�o n�o foi resolvido completamente com a liberta��o do T. nigrescens, mas chegou-se a controlar esta praga de maneira mais ou menos eficaz, gra�as a medidas apropriadas de combate integrado. Infelizmente, o T. nigrescens n�o tem, ou quase n�o tem, influ�ncia sobre outras pragas como p.ex. os Sitophilus spp. ou os Tribolium spp.

Outros predadores como o percevejo Xylocoris flavipes, um antocorida, s�o antagonistas que se encontram frequentemente nos celeiros tradicionais. Eles possuem um bom potencial para chegar � redu��o das popula��es de pragas, contanto que eles n�o sejam eliminados pelos insecticidas de amplo espectro. Mesmo quando n�o forem utilizados de prop�sito como agentes de controlo, eles podem, dentro do quadro de combate integrado contra os insectos daninhos que atacam os produtos armazenados, contribuir naturalmente a uma redu��o das perdas num ambiente livre de insecticidas, merecendo por isso uma protec��o especial.

10.3.2 Parasitoidas

Investiga��es efectuadas recentemente abriram novas perspectivas no referente � utiliza��o de vespas parasitoidas min�sculas nos armaz�ns de cereais. Estas esp�cies s�o geralmente muito espec�ficas, ou seja especializadas em determinado tipo de pragas que atacam os produtos armazenados. Cabe aqui mencionar as esp�cies Trichogramma, as quais parasitam os ovos das tra�as. Algumas das esp�cies identificadas mostraram-se bastante eficientes nas estruturas de armazenagem Para garantir efeitos a longo prazo, a utiliza��o das esp�cies Trichogramma requer liberta��es repetidas (inundantes) a intervalos determinados.

No referente �s brocas nas leguminosas de gr�o, deve-se mencionar a esp�cie Uscana lariophaga, um parasitoida especializado em ovos que oferece boas perspectivas devido ao seu forte impacto sobre a esp�cie Callosobruchus maculatus nos armaz�ns da �frica Ocidental.

Uma s�rie de parasitoidas de larvas como o Anisapteromalus calandrae, Choetospila elegans e outros, s�o encontrados frequentemente nos celeiros tradicionais n�o tratados com insecticidas qu�micos. O impacto atingido com essas esp�cies � consider�vel, por isso deveriam ser consideradas na elabora��o de concep��es para o combate de pragas integrado ao n�vel de armazenagem em herdades pequenas.

10.3.3 Agentes patog�nicos

Agentes patog�nicos (bact�rias, v�rus, protozo�rios) que s�o espec�ficos para determinadas esp�cies mostraram seu potencial para assegurar um controlo satisfat�rio das popula��es de pragas nos campos. O Bacillus thuringiensis � a esp�cie mais utilizada entre os agentes de combate biol�gico. Nas condi��es de armazenagem, ele oferece as vantagens seguintes:

� ele � altamente t�xico para as tra�as que atacam os produtos armazenados
� o efeito dura v�rios meses
� tratamentos de superf�cie s�o suficientes.

As tra�as pir�lides Plodia interpunctella e as esp�cies de Ephestia s�o especialmente sens�veis contra esta bact�ria. Observou-se infelizmente urna grande resist�ncia em v�rias ocasi�es, de maneira que n�o � f�cil estimar o B. thuringiensis como alternativa para os insecticidas sint�ticos. Existe uma variedade chamada B. thuringiensis tenebrionis com um determinado potencial de combate contra os cole�pteros que atacam os produtos armazenados, especialmente Rhyzopertha dominica. Esta variedade ainda requer investiga��es mais detalhadas.

Existem outros agentes patog�nicos, como os fungos, os v�rus e os protozo�rios que foram investigados, mas nenhum deles alcan�ou suficiente import�ncia nos armaz�ns de cereais, devido aos efeitos letais limitados ou aos seus efeitos t�xicos secand�rios (micotoxinas) para os animais de sangue quente.

10.4 M�todos biot�cnicos

Mais do que os outros m�todos de combate, estes procedimentos se servem do comportamento dos insectos, os quais v�o contribuir assim � sua pr�pria destrui��o. Utilizam-se com estes m�todos as reac��es naturais das pragas de armazenagem frente aos est�mulos do ambiente.

10.4.1 Iscas

As iscas s�o utilizadas desde h� muitos s�culos. Mistura-se veneno nas subst�ncias aliment�cias para atrair os animais alvo. Contanto que sejam tomadas todas as precau��es necess�rias, o m�todo das iscas �ecologicamente muito seguro.

Ocasionalmente utiliza-se esta t�cnica para atrair e combater insectos. N�o obstante, utiliza-se principalmente este m�todo no combate dos roedores. (Veja-se sec��o 11.7).

10.4.2 Feromones

Os feromones s�o est�mulos naturais emitidos pelos insectos com o fim de estabelecer uma esp�cie de sistema de comunica��o. Partindo das pragas que atacam os produtos armazenados, foi poss�vel sintetizar subst�ncias sexuais (emitidas geralmente pela f�mea) ao igual que feromones de agrega��o (com efeito igual para os dois sexos). Na maioria dos casos, os feromones n�o s�o realmente utilizados como agentes de combate, mas servem nas tarefas seguintes:

� Estudo da composi��o das esp�cies
� Reconhecimento da infesta��o (supervis�o)
� Estima��o da densidade de popula��o
� Defini��o das datas para a aplica��o das medidas de combate
� Controlo do �xito das medidas de combate

Os feromones foram isolados e identificados a partir de mais de 30 esp�cies de insectos que atacam os produtos armazenados. A aplica��o mais comum s�o as trapas com feromones com o fim de investigar, detectar e supervisar as tra�as pir�lides, a esp�cie Lasioderma serricorne e as dermestas que atacam os produtos aliment�cios transformados. As trapas em massa de tra�as machos n�o resultaram ser rent�veis. Entre outros, encontram-se no com�rcio feromones para as seguintes pragas importantes:

Cole�pteros:

Lasioderma serricorne
Prostephanus truncatus
(Broca maior de gr�o)
Rhyzopertha dominica
Stegobium paniceum
Tribolium castaneum
Tribolium confusum
Trogoderma granarium

Tra�as:

Sitotroga cerealella
Ephestia cautella
Ephestia kuehniella
Plodia interpunctella

Os machos das tra�as pir�lides E. cautella, E. kuehniella e P. interpunctella podem at� ser capturados com a mesma composi��o, o que torna relativamente rent�vel a supervis�o dos mesmos.

Os feromones s�o ideais para a utiliza��o em combina��o com trapas. Existem diferentes tipos de trapas dependendo da esp�cie de praga e do fim desejado. A trapa de tra�as mais pr�tica e a utilizada mais comummente � a trapa delta, a qual consiste num cart�o parafinado dobrado duas vezes para formar um prisma aberto nas duas extremidades. As tr�s faces interiores s�o cobertas ent�o com um material colante. No fundo, encontra-se uma c�psula que contem o feromone. Os insectos voadores s�o atraidos pelo feromone e ficam colados sobre alguma das superf�cies adesivas. Existem tamb�m modelos mais complicados e menos rent�veis como as trapas tipo funil ou com asas. Utilizam-se as pequenas trapas com cola para localizar as tra�as em lugares dificilmente acess�veis.

O alcance das trapas para insectos voadores � bastante limitado. No interior dos armaz�ns, os insectos reagem at� uma distancia de 10 m. Para poder oferecer um alcance suficiente, deve-se pelo tanto colocar as trapas a uma distancia de aproximadamente 10 m uma da outra. Testes efectuados ao ar livre com a broca maior de gr�o mostraram que a distancia m�xima de atrac��o � de 500 m, dependendo do vento.

Existem modelos de trapas s�milares para diferentes esp�cies de cole�pteros voadores (p.ex. P. truncatus). Os cole�pteros rasteiros podem ser capturados com sondas de gr�os colocadas verticalmente dentro da mercadoria a granel, sem necessidade de feromones. � l�gico que as trapas de cole�pteros com feromones facilitam a captura especifica. Existem tamb�m trapas de cart�es ondulados tratados com insecticida e que cont�m c�psulas com feromones (p.ex. para T. granarium). Estas trapas, ao igual que as trapas de janela, se servem do facto que os cole�pteros t�m a tend�ncia de entrar em esconderijos. Para o T. granarium foi elaborada uma trapa mural, a qual se serve do comportamento trepador dessa esp�cie. Tamb�m existem outros tipos de modelos para determinadas esp�cies.

As trapas com feromones para insectos rasteiros t�m um alcance ainda menor que as trapas para os insectos voadores. A dist�ncia m�xima para a maioria dos modelos � de 1.5 m, de maneira que � dif�cil alcan�ar uma cobertura completa de toda a superf�cie. Recomenda-se colocar esse tipo de trapas em lugares vulner�veis, na entrada das instala��es de armazenagem ou em lugares suscept�veis de aglomera��o de insectos.

10.4.3 Atraentes

Alguns atraentes emanantes de produtos aliment�cios produzem um efeito de atrac��o sobre determinadas pragas a uma distancia mais ou menos longa. Na pr�tica, eles podem ser utilizados como os feromones. Em alguns casos, como p.ex. para o T. granarium, podem ser combinadas as iscas de subst�ncias aliment�cias com os feromones para aumentar a atrac��o.

10.4.4 Repelentes

Alguns extractos de plantas possuem efeitos repelentes sobre as pragas que atacam os produtos armazenados. Isto � valido p.ex. para o neem j� mencionado na sec��o 4.4.1.2.2. Os experimentos efectuados mostraram que a aplica��o destas subst�ncias na pr�tica � limitada.

10.4.5 Inibidores de crescimento

Foram efectuados esfor�os nos �ltimos tempos no referente � possibilidade de utilizar determinadas subst�ncias, as quais interferem no mecanismo complicado de desenvolvimento e de muda dos insectos. Utilizando estas subst�ncias, � poss�vel perturbar o desenvolvimento de tal maneira que a descend�ncia n�o � capaz de se reproduzir. Devem-se mencionar neste lugar as subst�ncias, cuja estrutura se parece com a das hormonas juven�s (an�logas �s das hormonas juven�s). A sua aplica��o leva ao desenvolvimento de formas intermedi�rias dos est�dios larval ou de transforma��o em cris�lida, inaptos para a sobreviv�ncia.

Os inibidores de crescimento e as subst�ncias an�logas �s hormonas juvenis incluem o methoprene, o fenoxycarb e o diflubenzuron. Estes s� o sufi cientemente persistentes no gr�o armazenado, mas presentam pouco efeito no caso das esp�cies Sitophilus. Na maioria dos casos, os inibidores de crescimento n�o podem ainda ser utilizados de maneira suficientemente efectiva como para que sejam considerados como uma alternativa dos insecticidas. N�o obstante, existe um potencial para a aplica��o do methoprene contra Lasioderma serricorne ou contra algumas ra�as resistentes aos preparados organofosforados de Rhyzopertha dominica e Oryzaephilus surinamensis. Experimentos mostraram tamb�m um potencial para a utiliza��o do methoprene em combina��o com um preparado organofosforado.

10.4.6 Variedades de culturas resistentes �s pragas de armazenagem

Mostrou-se que uma grande quantidade de variedades de alto rendimento cultivadas no contexto da "revolu��o verde" s�o mais sens�veis a uma infesta��o com as pragas de armazenagem que as variedades locais. Os crit�rios seguintes poderiam ser respons�veis:

� menos dureza do envolt�rio da semente
� altera��o da composi��o, por exemplo aumentando o teor em prote�nas
� cheiro mais atraente, devido � altera��o da composi��o do gr�o
� camisas de milho que n�o cobrem completamente as espigas, n�o oferecendo por conseguinte suficiente protec��o

O facto de utilizar as diferen�as entre as variedades pode ser considerado como uma excelente medida profil�ctica, contanto que as variedades resistentes correspondam com as normas de qualidade necess�rias. As variedades resistentes contra as pragas que atacam os produtos armazenados deveriam por conseguinte ter prioridade nos programas de selec��o.

Excepto algumas utiliza��es especiais, como p.ex. a do p� inerte para o tratamento estrutural, n�o pode ser considerado nenhum dos m�todos mencionados neste capitulo como alternativa apropriada para substituir os insecticidas. N�o obstante, elas formam parte das estrat�gias de combate integrado contra as pragas de armazenagem, podendo contribuir no futuro �redu��o consider�vel da aplica��o de produtos qu�micos.

10.5 Refer�ncias liter�rias

AN�NIMO (1990) Fumigation and Controlled atmosphere Storage of Grain, ACIAR Proceedings No. 25, Canberra

AN�NIMO La conservation du ni�b� (haricot) avec l'huile de neem. Fiche Technique de la Protection des V�g�taux, Lom�-Cacaveli, 26 p.

AN�NIMO (1980) Post Harvest Problems, GTZ, Eschborn, 258 p. + 32 p. ap�ndice.

HTGHLEY, E., E.J. WRIGHT, H. J. BANTCS & B.R. CHAMP. ed. (1994) Stored Product Protection. Proceedings of the 6th International Working Conference on Stored-product Protection, CAB International, Canberra, 2 volumes, total 1274 p.


Sum�rio - Precedente - Siguiente